Avaliação da ortorexia, dismorfia muscular e ní­veis de aptidão fí­sica em desportistas recreacionais universitários

  • Betina Franceschini Tocchetto Escola de Educação Fí­sica, Fisioterapia e Dança (ESEFID), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Guilherme Cortoni Caporal Escola de Educação Fí­sica, Fisioterapia e Dança (ESEFID), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Pedro Schons Escola de Educação Fí­sica, Fisioterapia e Dança (ESEFID), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Fernanda Donner Alves Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Porto Alegre-RS, Brasil
  • Luciana da Conceição Antunes Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Eduardo Lusa Cadore Escola de Educação Fí­sica, Fisioterapia e Dança (ESEFID), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  • Carolina Guerini de Souza Departamento de Nutrição, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Centro de Estudos em Alimentação e Nutrição, Hospital de Clí­nicas de Porto Alegre (CESAN/HCPA)
Palavras-chave: Transtornos da alimentação e da ingestão de alimentos, Exercício, Aptidão fisica, Comportamento alimentar, Imagem corporal

Resumo

Distúrbios relacionados à alimentação e ao exercí­cio são cada vez mais prevalentes no meio esportivo, entre eles estão a Ortorexia e a Dismorfia Muscular. Esses distúrbios resultam em alterações e prejuí­zos na vida diária em que atividades sociais são deixadas de fora em prol do cronograma de dieta e treino. Embora existam estudos avaliando distúrbios alimentares em atletas universitários, poucos são os que tenham avaliado os mesmos em ambos os sexos e considerando a coexistência do comer disfuncional e dismorfia muscular juntos. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência de Ortorexia e Dismorfia Muscular em desportistas recreacionais universitários e sua relação com a aptidão fí­sica. Conduziu-se um estudo transversal com amostra de conveniência, composta por 50 desportistas que foram avaliados por meio de dois questionários validados para Ortorexia e Dismorfia Muscular. Além disso, a aptidão fí­sica dos mesmos foi mensurada pelos testes de 1RM de agachamento e Teste de 1 milha. Dentre os avaliados, 78% obteve diagnóstico compatí­vel para Ortorexia, sendo mais prevalente entre os homens (59%). Em contrapartida, nenhum dos sujeitos apresentou sintomas de Dismorfia Muscular. Conforme esperado, a aptidão fí­sica foi melhor do que a da população em geral nos dois testes, porém não foram encontradas correlações entre estes e os distúrbios estudados. Os resultados deste estudo indicam um elevado percentual de Ortorexia na amostra avaliada, não acompanhada por Dismorfia Muscular, sendo a primeira mais prevalente no sexo masculino. Não foram encontradas correlações entre estes dois distúrbios e aptidão fí­sica dos participantes.

Biografia do Autor

Carolina Guerini de Souza, Departamento de Nutrição, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Centro de Estudos em Alimentação e Nutrição, Hospital de Clí­nicas de Porto Alegre (CESAN/HCPA)

Nutricionista, especialista em nutrição clí­nica, mestre e doutora em bioquí­mica.

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Publicado
2018-07-15
Como Citar
Tocchetto, B. F., Caporal, G. C., Schons, P., Alves, F. D., Antunes, L. da C., Cadore, E. L., & Souza, C. G. de. (2018). Avaliação da ortorexia, dismorfia muscular e ní­veis de aptidão fí­sica em desportistas recreacionais universitários. RBNE - Revista Brasileira De Nutrição Esportiva, 12(71), 364-373. Recuperado de http://www.rbne.com.br/index.php/rbne/article/view/1045
Seção
Artigos Científicos - Original